Higiene Natural (HN) ou Elimination Communication(EC) por

Fernanda Paz - pioneira na propagação do método no Brasil

   Todo mundo tem a ideia de que são normais cólicas e assaduras no bebê. Na gravidez já nos preparamos para gastar com muitas fraldas, pomadas e lenços umedecidos, enquanto os outros nos preparam para bebês que não dormem bem, choram muito e vão ter dificuldades para mamar ou se alimentar. Temos a visão de um mini-humano que já nasce com chupeta e fralda, tomando mamadeira. Quando estamos conhecendo nossa cria, tentando compreender suas necessidades, partimos do pressuposto de que se o bebê chorar, ou tem fome, ou tem sono ou tem cólica, dores. Entendendo que se a fralda está limpa, está tudo bem. Que loucura! Deveríamos olhar o corpo do bebê como uma engrenagem perfeita que funciona em harmonia, mas, assim como atendemos a fome e o sono, podemos e devemos atender o xixi e o cocô também, porque não faz sentido que um recém nascido consiga realizar suas evacuações usando um tampão como as fraldas.

    É aí que entra a Elimination Communication (EC) ou Comunicação de Eliminação ou Assisted Infant Toalet Training (AITT) que ganhou na America Latina e na Europa o nome de Higiene Natural (HN ou HNI - higiene natural infantil) e consiste em atender as necessidades de evacuação dos bebês e dar uma assistência de banheiro desde o nascimento, sem limite de idade para começar, sendo um método muito positivo também para auxiliar no desfralde. Mas, é preciso deixar claro, os bebês usam fraldas sim e não possuem controle esfincteriano, porém, conhecendo a HN você vai aprender como vive um bebê que faz xixi no penico, que faz cocô sempre no mesmo turno e horário, uma a duas vezes por dia, que não desenvolve assaduras nem bactérias e fungos e também dificilmente sofre com dermatite da área das fraldas, cólicas e problemas com o sono ou amamentação/alimentação. De quebra, ainda haverá grande economia de produtos e medicamentos relacionados ao uso de fraldas, maior respeito à natureza e menos descarte de lixo não reciclável (fraldas descartáveis) ou gasto de água (fraldas de pano), portanto, menor impacto financeiro, ambiental e maior conexão entre pais e filhos. 

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Estudos científicos já apresentam a higiene natural como solução para diversas demandas dos bebês, como por exemplo, no caso das cólicas, em que Geraldine Jordan (2014) publicou um ensaio entitulado: "Comunicação de Eliminação como terapia para a cólica” (tradução livre), no resumo, define a autora: 

 

[...] Além de choro excessivo, sintomas e descritores de cólica infantil incluem choro inconsolável, gritos, pernas elaboradas contra o abdômen, sobrancelhas franzidas, abdômen distendido, arqueado para trás, eliminação de gases, choro após alimentação e dificuldade de defecar/constipação. [...]. Comunicação de eliminação (EC, também conhecido como Higiene Natural Infantil-HNI e às vezes se refere à formação em penico, ou uso assistido do banheiro pelo bebê) envolve o uso de sinais pelos quais os bebês demonstram aos cuidadores que querem urinar ou defecar e estes, observando passam a conhecê-los e atendê-los. Tais sinais podem incluir tipos de choro, contorcendo-se, esforçando-se, distendendo-se, fazendo uma careta, agitação, vocalizando, olhar atento no cuidador, rosto vermelho, gases e grunhidos, muitos dos quais são os mesmos sintomas iniciais relacionados com o aparecimento de estados infantis de cólica.A MELHOR resposta para essa situação é a atenção e carinho de um cuidador para estes sina

is de uma criança, envolve a descoberta da fenda interglúteo do bebê (bumbum ao vento) e embalando o bebê delicadamente e não coercitivamente em uma posição de cócoras em que ele fique seguro e suportado. Esta posição vai aumentar o ângulo anorretal da criança facilitando assim a evacuação completa. Acredita-se que a eliminação eficaz e em tempo irá provocar um aumento de conforto físico para a criança e os sintomas de cólica irão concomitantemente diminuir. CONCLUSÃO: A hipótese de EC como terapia para cólicas não se centra em treinamento do banheiro em uma idade precoce, mas na implementação do conhecimento/observação do aspecto da criança/bebê, de modo que a micção e a defecação sejam auxiliadas. Ao ter suas necessidades atendidas, o bebê melhor expressa sinais de necessidade de fazer xixi e cocô, que incluem tipos de gritos e sintomas idênticos aos conhecidos como cólicas. Quando essas dicas são reconhecidas e o lactente está posicionado de cócoras apoiadas, estará na posição, podendo urinar e defecar com facilidade. O lactente terá alívio do desconforto gastroenterológico e uma redução dos sintomas cólicos. Se os sinais não forem adequadamente respondidas em tempo hábil por um cuidador atento, então o estresse e o choro vão aumentar a escala. No entanto, um cuidador atento e disposto a dar a resposta às pistas que o bebê dá, colocando-o a posição correta, de forma gentil e não coercitiva em um ambiente seguro, posicionando-o de cócoras, aumentará o ângulo anorretal do bebê facilitando a defecação completa. A eliminação completa, dando maior conforto físico para a criança ocasionando uma concomitante diminuição dos sintomas de cólica. [1]

      O que nos faz deduzir que não custa nada permitir o cocozinho do bebê sem fralda, apostando em massagens diárias e posicionamento no momento oportuno. Existem muitas críticas à comunicação de eliminação, porém, estão pautadas na ideia de que seja um treinamento precoce de banheiro e que exigiria um controle esfincteriano por parte do bebê. Além dessas impressões estarem equivocadas, vão de encontro ao estudos relativos ao tema. Esse estudo e outras tantas informações você encontra no Livro do Bebê sem Fralda, um PDF fácil de baixar e ler no celular, em qualquer hora e lugar.

       Sobre o treinamento infantil para o banheiro (Infant toalet training)

    No Jornal de pediatria de 2008, Mota & Barros publicaram um estudo sobre o treinamento esfincteriano no Brasil, expressando sua preocupação com relação ao treinamento precoce de banheiro e possíveis eventos adversos, concluíram: “sabemos que não é possível acelerar o desenvolvimento e a mielinização das fibras nervosas, necessárias para adquirir esse controle, e que a criança precisa de desenvolvimento cognitivo para poder entender os mecanismos envolvidos na aquisição de fibras urinárias, hábitos, e também como se adaptar à cultura local e socializar". Contudo, citaram estudos anteriores, que levavam em consideração técnicas de desfralde coercitivas. Para contestar este estudo, O Dr. Sahar Tali escreveu uma carta à edição do Jornal de Pediatria (2009), lembrando que estudos concluem que a prontidão do banheiro é determinada mais pelo ambiente do que pela neuroanatomia. O treinamento de toalete infantil assistido (assisted infant toalet training - AITT), também chamado de “comunicação de eliminação”, é amplamente utilizado na Ásia e na África e os métodos relacionados são dramaticamente diferentes dos treinamentos tradicionais que são coercitivos, pois não há nenhuma aplicação de recompensa e castigo, por exemplo, em vez disso, há uma atenção gentil aos sinais e necessidades de eliminação da criança (RIGOLOTTO, 2004). Vários estudos demonstraram que bebês são capazes de permanecer secos quando permitidas outras opções mais condizentes com seu status de desenvolvimento. Apesar de seu sistema nervoso subdesenvolvido, os bebês conseguem captar bem os mecanismos do funcionamento urinário para exibir sinais de eliminação e satisfação. Quando um recém-nascido se contorce ou chora está sentindo o desejo de esvaziar sua bexiga ou intestinos. Um bebê mais velho gesticula e, se possível, rasteja na direção de um penico; uma criança andando pode caminhar até um penico e sentar-se. Quando um bebê está com fralda, esses sinais são mal interpretados e ignorados. Um pai atento pode reconhecer esses gestos e ajudar a criança. 

 

Acreditamos que o AITT oferece uma alternativa saudável ao treinamento higiênico contemporâneo. A criança pode ter mais mobilidade sem uma fralda incômoda, sofrerá menos erupções cutâneas e poderá desenvolver uma melhor função vesical, enquanto a comunicação entre pais e filhos é enriquecida, e os danos ecológicos causados ​​por fraldas descartáveis ​​são reduzidos. A atual situação ecológica e econômica demanda tal alternativa, especialmente em países onde grande parte da população tem recursos financeiros limitados, como o Brasil [2]

     Ou seja, na contemporaneidade não dá mais pra seguir esse método automático de fraldar e esperar acontecer determinado evento (como pular com dois pés, demonstrar interesse pelo banheiro, abaixar e levantar calças, etc.) para proporcionar uma evacuação digna aos nossos filhos, podemos fazê-lo desde o nascimento ou a partir do momento que tomamos consciência de que podemos. Pensando nos diversos benefícios como o simples fato de que nossa cria não vai precisar ficar em contato com as próprias fezes, de que é um método que pode ser praticado parcialmente, de que dá mais mobilidade à criança e melhora a saúde e comunicação, são muitos os motivos para começar. 

     Outro estudo interessante se apresenta em defesa da HN: 

   "O treinamento de toalete iniciado durante o primeiro ano de vida: um relatório sobre os sinais de eliminação, a recusa do toalete nas fezes e a idade de finalização. De Rugolotto S1, Sun M, Boucke L., Calò DG, Tatò L (2008). 
 

O objetivo deste estudo foi examinar uma população internacional de crianças que iniciaram o treinamento esfincteriano no primeiro ano de vida. Duzentos e oitenta e seis participantes completaram um questionário anônimo. As principais variáveis ​​de desfecho foram: presença de sinais de eliminação (ES), consistência do padrão de eliminação (EPC), recusa do toalete de fezes (STR) e idade de conclusão do treinamento do toalete. A análise incluiu as diferenças na idade de conclusão em relação a cada uma das seguintes variáveis: faixa etária inicial, presença de ES, EPC, STR e país de residência para aqueles que completaram o treinamento intestinal ou vesical no momento da conclusão da pesquisa.
RESULTADOS: Mais de 90% dos entrevistados relataram que seus filhos apresentavam ES. STR foi quase 12%. Para aqueles que completaram o treinamento no banheiro no momento da conclusão da pesquisa, as idades de conclusão para manter-se seco durante o dia e o controle intestinal foram 17,4 e 15,0 meses, respectivamente; aqueles que iniciaram o treinamento higiênico durante os primeiros 6 meses completaram o treinamento mais cedo do que aqueles que começaram mais tarde; aqueles que apresentaram STR no início do treinamento completaram o treinamento intestinal mais tarde do que aqueles que não o fizeram (P <0,001); aqueles que exibiram ES para evacuações ou evacuações concluíram o dia se cos e o treinamento intestinal mais cedo do que aqueles que não o fizeram (P <0,001). Entre os países de residência, as crianças que residiam nos EUA e no Canadá concluíram o treinamento intestinal o mais cedo (P <0,001).
CONCLUSÃO:Este é o primeiro relatório que fornece dados sobre o atual método de treinamento de higiene infantil, que é baseado principalmente em ES e padrões, e praticado por cuidadores motivados. Efeitos colaterais notáveis ​​não foram observados. [3]

      Quer dizer, Um estudo internacional de 286 crianças que iniciaram o treinamento de toalete durante o primeiro ano de vida revelou que mais de 90% apresentavam sinais de eliminação; as idades médias de conclusão para manter-se seco durante o dia e controle intestinal foram menores que 18 meses e nenhum efeito colateral negativo foi relatado. Comparado com o treinamento ocular ocidental (iniciado por volta dos 2 anos de idade), a recusa de toalete nas fezes diminui de 22 para 12%. (RIGOLOTTO, 2008). [4]

      Além de alguns estudos científicos como os mencionados acima, existem no mundo em média de 30 livros sobre o tema, em inglês, francês, chinês e alemão (abaixo disponibilizo pequena lista com alguns). O primeiro livro do mundo que foi escrito totalmente em português e inteiramente baseado em evidências científicas foi escrito por Fernanda Paz no ano de 2017 e você encontra o e-book aqui. Conheça mais sobre o assunto, assista aos vídeos no canal do YouTube e leia os textos do Blog , aproveite para conhecer a página no Facebook e o Instagram também, todos as nossas redes tem o nome de Bebê sem Fralda. Sua participação é muito importante! Por favor, sempre curta, comente, compartilhe, ajude a difundir essa ideia, se aprofunde, leia mais, chame as amigas e os amigos, a vovó e a pediatra para conversar sobre isso e sobre como eram os desfraldes antigamente. Vamos combinar que fraldas são invenções modernas, as descartáveis mesmo entraram no mercado somente na década de 70 e não era todo mundo que podia comprar e mesmo as soluções de pano são também novidades na comparação do nosso conhecimento e funcionamento corporal de mais de 400mil anos. Enfim, há muito o que falar sobre isso! Desfrute das leituras, aproveite para tirar dúvidas contratando uma consultoria com uma especialista, a primeira consultora do Brasil 

Referências: 

1 - JORDAN, G. PHD canadense, pesquisadora de diversas áreas do conhecimento, professora assistente em Geografia e Estudos Ambientais no TWU. Ministra cursos de Geografia e Estudos Ambientais, incluindo ciências ambientais, sistemas de informação geográfica (SIG) e geografia física, desenvolvendo estudos e evidências científicas que contribuem e muito com o entendimento da evolução da nossa espécie. Seu currículo Lattes e suas publicações você encontra aqui: https://www.twu.ca/profile/geraldine-jordan. O estudo acima mencionado você encontra aqui: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24962210

2 - TALI, S.¹, ²EFRAT, S-U; ³BOUCKE, L.; RUGOLOTTO, S. Infant toilet training. J. Pediatr. (Rio J.) vol.85 no.1 Porto Alegre Jan./Feb. 2009. ¹MD, MSc. Os autores são, respectivamente, dos seguintes departamentos: Department of Family Medicine, Hebrew University, Jerusalem, Israel, BA. Ben-Gurion University, Israel, BA. White-Boucke Publishing, Colorado, USA, MD. Division of Pediatrics, Legnago Hospital, Legnago, Italy. O estudo você encontra aqui: 

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0021-75572009000100016&script=sci_arttext&tlng=en

3 - Rugolotto S1, Sun MBoucke LCalò DGTatò L. Department of Pediatrics, University of Verona, Verona, Italy. simone.rugolotto@azosp.vr.it. O Estudo você encontra aqui: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18277362

4- Rugolotto S, Sun M, Boucke L, Calò DG, Tatò L. Toilet training started during the first year of life: a report on elimination signals, stool toileting refusal and completion age . Minerva Pediatr. 2008;60:27-35.

Outros livros no mundo sobre o tema: 

Bauer, Ingrid (2007): Es geht auch ohne Windeln! Der sanfte Weg zur natürlichen Babypflege. – 3. Aufl. München: Kösel.Fontanel, Béatrice/d’Harcourt, 

Boser, Doris (2015): Probier´s mal ohne Windel: Das moderne Praxisbuch zur schrittweisen Windelfreiheit. Noel.

Claire (2008): Babys in den Kulturen der Welt. – 4. Aufl. Hildesheim: Gerstenberg.

Delias, Michael; Delias, Andrea (2016): Naturgeburt: Langzeitstillen, Windelfrei, Natürliche Säuglingspflege und Lebensweise. Die Wurzel.

Dibbern, Julia (2010): Geborgene Babys. Edition Anahita

Eder, Carola (2010): Auf den Spuren des Glücks: Das Kontinuum-Konzept im westlichen Alltag - Zum bedürfnisorientierten, respektvollen und gleichwürdigen Umgang mit dem Kind.

ElternWissen (2014): So wird Ihr Kind sauber Windelfrei ohne Stress.

Imlau, Nora (2016): Mein kompetentes Baby: Wie Kinder zeigen, was sie brauchen. München: Kösel

Largo, Remo H. (2002): Babyjahre. Die frühkindliche Entwicklung aus biologischer Sicht. – 5. Aufl. München: Piper.

Laurie Boucke (2008): TopfFit!: Der natürliche Weg mit oder ohne Windeln.

Lindmayer, Lini (2013): Windelfrei? So geht's!: Natürliche Säuglingspflege - Begleiten der frühkindlichen Entwicklung durch Kommunikation und Körperkontakt

Messmer, Rita (2013): Ihr Baby kann's!: Selbstbewusstsein und Selbstständigkeit von Kindern fördern. Beltz Taschenbuch / Ratgeber

Pipi-Kacka: Gut gewickelt - ruckzuck windelfrei (2015) Bartig-Prang, Tatje. Trias.

Renz-Polster, Herbert (2010): Kinder verstehen. Born to be wild: Wie die Evolution unsere Kinder prägt. – 2. Aufl. München: Kösel

Schmidt, Nicola (2015): artgerecht - Das andere Baby-Buch: Natürliche Bedürfnisse stillen. Gesunde Entwicklung fördern. Naturnah erziehen. München: Kösel.

Schöbinger (2016): Die Windelfrei-Methode Für und Wider: Argumente aus Pädagogik und Psychologie. Kindle.

Von Haeseler, Jessica (2016): Windelfrei - Einfach und mit Spaß.

Wagner, Karolin (2017): Windelfrei: Eltern im Portrait - Erfahrungen, Tipps und Tricks. GreatLife Books

Wenger, Nadine. (2013): Natürliche Wege zum Babyglück: In Liebe geboren, ins Leben getragen, geborgen auf Erden. Neue Erde.

Por quê usamos fraldas nos nossos bebês?

Quais os problemas decorrentes do uso das fraldas?

O que é Higiene Natural?

Assista o vídeo e entenda um pouquinho sobre esse conteúdo tão incrível!