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O bebê pode ficar até 10 dias sem fazer cocô?

Atualizado: 4 de jan.

[...] "Dias sem fazer cocô em AME (amamentação exclusiva) é normal?

Esse é um assunto que precisa ser muito observado e melhor discutido. Tá certo que a digestão do leite materno se dá de forma bastante eficiente e o organismo aproveita muito bem de todos os seus nutrientes. Os rins e o intestino não são sobrecarregados explicando o aspecto aguado nas fezes de um bebê que está em amamentação exclusiva (AME), são cocôs amarelados parecendo um creme de mostarda com gergelim, enquanto o xixi costuma ser abundante e amarelo bem clarinho. Conhecer as fezes e o xixi dos nossos filhos nos proporciona ter a perfeita noção do padrão de eliminação e de saúde deles. As evacuações líquidas e várias vezes ao dia, pode levar a mãe a acreditar que ele apresenta diarreia, assim como o fato do lactente ficar dias sem evacuar, pode levá-la a crer que ele tem constipação intestinal. Quando o bebê em aleitamento materno exclusivo fica até 10 dias sem fazer cocô, pode estar acontecendo o que chamamos de "pseudoconstipação" que, embora não seja patológica e não careça de tratamento, pode ser “comum”, mas não é tão “normal”, ela é, ao contrário, uma possibilidade remota pois abarca apenas de 5 a 14% dos bebês e esse número é muito pequeno, dados da literatura mostram que estes intervalos podem ser de 4 a 5 dias, 6 a 7 dias e em alguns casos superior a 10 dias” (ANDRADE et. al., 2007 e FAIAL et. al., 2006).


Na pseudoconstipação o bebê não fica incomodado, ele dorme, mama e convive normalmente sem desconfortos e quando essas fezes saírem, deverão ter um aspecto normal. Entretanto, precisamos ter em mente que o organismo foi feito para se alimentar, descansar e evacuar diariamente. Todas as situações que saem dessa rotina implicam em alterações hormonais, comportamentais, emocionais e de ordem física.


Técnicas de tortura, por exemplo, consistiam em deixar o prisioneiro dias sem dormir e/ou sem fazer xixi/cocô. No caso da privação de sono, o paciente pode apresentar desde perda da concentração até uma doença cardíaca ou pressão alta, por exemplo. No caso da ausência de alimentos, o indivíduo por inanição tem o organismo consumindo os próprios nutrientes buscando energia a fim de manter-se vivo, resultando em lesões progressivas da musculatura e dos órgãos. Já no caso da constipação fecal, o indivíduo apresenta desconforto abdominal e dor, inchaço, mau humor, depressão, ansiedade, hemorroidas, fissuras anais, esforço excessivo de retenção e eliminação das fezes constipadas, nervosismo, agitação, agressividade, insônia, inapetência. Quer dizer, a pessoa (e o bebê, enquanto mini humano) que não está eliminando as fezes da maneira correta, efetiva e diária, apresenta o típico comportamento e a cara “enfezada” e acaba por desregular todas as outras searas da vida. O bebê que não evacua bem, não mama bem e depois não ganha peso adentrando num ciclo desesperador de problemas com as evacuações, problemas com a amamentação e problemas com o ganho de peso. Por isso, é de fundamental importância que o pediatra tenha conhecimento desta situação para que explique de maneira clara e objetiva à mãe todas as normalidades possibilitando dessa maneira que a amamentação não seja interrompida. Alguns pediatras dizem que é normal um bebê em amamentação exclusiva ficar até 10 dias sem evacuar e sobre essa questão encontrei uma menção no manual de Promoção do Aleitamento Materno da Unicef:


"AMAMENTAÇÃO EXCLUSIVA: Oferecer só peito nos primeiros seis meses de vida. Nesse período não há necessidade de água ou chá, mesmo quando o tempo estiver muito quente, seco ou o bebê estiver com cólica. O leite materno é importante para o bebê durante esse período porque evita muitas doenças, principalmente quando dado exclusivamente. Além disso, contém todas as substâncias necessárias para que o bebê cresça sadio mental e fisicamente. Amamentar exclusivamente no peito evita muitas doenças, por exemplo, diarréia, pneumonia, infecção no ouvido e muitas outras. Quando o bebê mama só no peito, geralmente faz cocô mole, várias vezes ao dia, ou pode ficar até uma semana sem evacuar. Quando a criança mama no peito, aceita mais facilmente os alimentos da família, porque o leite do peito tem sabor e cheiro conforme a alimentação da mãe. Mamando só no peito até os seis meses os bebês já estão se adaptando aos alimentos da família."


O manual diz que o bebê pode fazer vários cocôs ao dia ou ficar uma semana sem fazer cocô. promovendo contraditoriedade e incertezas. A verdade é que o bebê, como os demais seres humanos, precisa fazer cocô todos os dias e o mais esperado é que ele faça vários cocôs ao dia:


"O hábito intestinal normal da criança pode apresentar variações. A frequência das evacuações é variável diferindo do adulto, assim sendo, nas crianças maiores de um ano e no adulto as evacuações podem variar de 1 a cada 72h até 3 evacuações em 24h. Nos lactentes esta frequência é elevada e naqueles em aleitamento materno ela varia amplamente podendo chegar até 10 ou mais evacuações/dia. De um modo geral, nos primeiros 14 dias de vida, a criança evacua entre 2 a 7 vezes por dia. No quinto mês esta frequência se reduz para uma a três vezes; e ao redor do segundo ano esta frequência se estabiliza em uma vez ao dia (WERAVER, 1988)[sic.]


Devemos, ainda, considerar que essas informações dizem respeito ao hábito do uso de fraldas. Na experiência da Higiene Natural não acontece dessa maneira, nem o bebê fica dias sem evacuar nem faz incontáveis e imprevisíveis eliminações ao dia. Existe um padrão, até turno e horário de eliminações, igualzinho ocorre com a fome e o sono. Quer dizer, os bebês que praticam HN fazem cocô(s) religiosamente todo santo dia e muito provavelmente no(s) mesmo(s) horário(s). Em pouco tempo passam a fazer apenas dois cocôs por dia, até que façam apenas um muito antes dos dois anos respeitando a fisiologia do seu corpo que precisa de, pelo menos, 12 horas para fazer o percurso completo do alimento, da ingestão até a eliminação.


Por isso, a melhor e mais eficiente medida de solução da constipação fecal é sem dúvidas a prática da higiene natural com a retirada das fraldas e a apresentação da posição adequada para o momento da eliminação. Evitando desmames precoces e maiores riscos ao aleitamento materno exclusivo pois, se um bebê evacuar bem, ele mamará bem e ganhará peso adequadamente, fazendo enfim um ciclo positivo de atendimento das suas necessidades. Cabendo aos cuidadores manter os bebês em harmonia com seu ordenamento físico e biológico, alinhando o aleitamento materno com a prática da higiene natural e a teoria da extero-gestação, os primeiros (e posteriores) meses de vida dos bebês farão deles indivíduos muito mais tranquilos do que se pode imaginar. Ainda tem o tema das cólicas e assaduras que desaparecem com a prática da HN, mas essa é uma conversa para outra postagem!

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Dediquem-se e acreditem! Os resultados aparecem a curto, médio e longo prazos, exatamente como acontece com a amamentação, somente quando resistimos e acreditamos, chegamos aos 06 meses de amamentação exclusiva e fluímos, mesmo diante de tantas crises, pitacos, falta de incentivo e dificuldades, até no mínimo os 02 anos, conforme é recomendado pela Organização Mundial da Saúde, resistindo em prol da HN, chegaremos (lá na frente) a um desfralde suave, respeitoso e guiado pelo nosso bebê. -----------------------//--------------------------//---------------- A GENTE SÓ PRECISA AJUDAR OS NOSSOS BEBÊS A FAZEREM COCÔ (e xixi quando possível)! Eu já estava estudando demais sobre HN na gestação. No pós parto imediato minhas parteiras me incentivaram à prática e me deram dicas de aleitamento. Nas visitas de pós parto uma das minhas parteiras, a enfermeira obstétrica Larissa que praticou com sua filha na época em que estudou e morou na Nova Zelândia me deu mais algumas dicas sobre amamentação e evacuação... Eu não tinha mais nenhuma referência, não existiam textos em português, isso me deixava com muitas dúvidas. Conforme eu conto no meu primeiro livro (clique aqui), demorei 54 dias para criar coragem e enfim tirar a fralda da minha filha no momento que eu sabia que ela precisava fazer cocô. E de lá pra cá foi só alegria! HN é um caminho sem volta! O desfralde efetivo guiado por ela aconteceu aos 11 meses. --------- Onde aprender mais? Higiene Natural para Iniciantes | Higiene Natural

Tem material para iniciantes?

Curso Completo de HN:


Pra falar sobre isso? https://www.facebook.com/groups/111961652805486 Referências: Ministério da Saúde. SAÚDE DA CRIANÇA: Nutrição Infantil Aleitamento Materno e Alimentação Complementar. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica Série A. Normas e Manuais Técnicos. Caderno de Atenção Básica, nº 23. Brasília – DF, 2009. UNICEF e MINISTÉRIO DA SAÚDE. Promovendo o Aleitamento Materno. 2ª edição, revisada. Brasília: 2007. Disponível em: https://www.unicef.org/brazil/pt/aleitamento.pdf WEAVER, L.T. Bowel habit from birth to old age. Jornal de Pediatria Gastroenterológica Nutricional, 1988. AGUIRRE, A.N.C.; VITOLO, M.R.; PUCCINI, R.S.; MORAIS, M.B. Constipação em lactentes: influência do tipo de aleitamento e da ingestão de fibra alimentar. Jornal de Pediatria, Rio de Janeiro, 2002. ANDRADE, J.F.A.; AMORIM, C.S.C.; SILVA, L.; FAIAL, L. Hábito intestinal de lactentes em aleitamento materno exclusivo. 6º Congresso Brasileiro Integrado de Pediatria Ambulatorial, Maceió, 2007.


FAIAL, L.; AMORIM, C.S.C.; SILVA, L.; REIS, K.S.; TEIXEIRA, J.M.; SILVA, L.M. Pseudoconstipação intestinal em lactentes em aleitamento materno exclusivo. 33º Congresso Brasileiro de Pediatria, Recife, 2006.

 
 
 

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