Expectativa: Eu não vou sucumbir! - Realidade: Sucumbi!
- 4 de mai.
- 4 min de leitura

A maternidade é esse território parecido com um campo minado. Se você não pisar numa bomba, vai pisar num lego, num brinquedo que faz um som estridente, num pé de boneca, qualquer coisa que seja pequena e pontiaguda e vai ser bem na hora que a cria acabou de pegar no sono!
Parece que é só seguir o instinto ou só ler aquele manual super indicado pelas blogueiras.
Talvez seja só comer mais orgânicos ou se priorizar e deixar a cria uma horinha por dia com alguém pra promover o auto cuidado, uma academia, um salão de beleza, um café no shopping.
Talvez com uma doméstica ou uma babá, talvez indo morar mais perto da mãe, talvez se conseguir treinar o pai da cria para suas ideias.
Será que existe alguma maneira de amenizar todo esse árduo e explosivo caminho?
Tem alguma fase que acalma?
Ser mãe de recém nascido é uma caixinha de surpresas. Privação de sono, choro guardado, auto estima lá no pé.
Com 6 meses parece que alivia a pressão, mas daí começa a agonia pra entender a introdução alimentar.
Com 1 ano o nosso corpo ainda não voltou ao normal e o que seria o normal depois da maternidade?
Aos 14 meses do bebê o que parecia que ia ficar fácil simplesmente regride.
Com um bebê de 1 ano e 6 meses não é possível ficar parada nem mesmo 5 minutos.
E, pra ajudar, no maravilhosos 2 anos é um tal de "não-não-não" que só pela misericórdia!
Em certas épocas a cria come mais e não cresce. De repente não tá comendo e espicha.
O inverno traz junto as calças curtas e as mangas cotocas.
Duas vezes por ano precisamos dar jeito em roupas e sapatos novos e esse é o único fato que podemos afirmar com certeza na maternidade.

Todos têm um pitaco. O que é melhor, como é melhor.
"-Faça assim", "-Faça assado".
"- Dê a chupeta", "Esse choro é fome", "-Ah tadinho, não dormiu né?"
"- Você não pode deixar ele fazer isso, se não quando crescer vai mandar em você".
E, geralmente, esses conselhos relacionados ao que não podemos fazer diz respeito à tratar nossas crias com dignidade. Ver nossos filhos como mini humanos e não como serezinhos perversos prontos a nos fazer de cavalos e saírem galopando por aí.
Algumas gerações antes das nossas foram sendo moldadas para se afastar da naturalidade, do afeto, da expressão dos sentimentos. Colo virou sinônimo de fraqueza de, como se dizia na minha terra: "dar balda" que, por sua vez, significa dar mania, como que uma "permissibilidade à manipulação infantil".
Com essa ideia, passamos a crer fielmente que realmente um bebê recém nascido que ainda não desenvolveu a linguagem, que não caminha e nem se equilibra direito, um bichin que ainda nem é capaz de calcular quanto é a soma de alho com bugalhos, um infante em formação cognitiva, é capaz de manipular, jogar com sua sanidade, pegar seus pontos fracos e com isso te aprisionar para fazê-la servente de suas vontades.
E eu venho do futuro pra te dizer que isso não é verdade. Teu bebê não te manipula, tua criança não é perversa, teu pré-adolescente não é chato, teu adolescente não é mau humorado.
Rotular sem lógica machuca, cria crenças limitantes, gera falácias sociais.
Os mini humanos são realmente boas pessoas, desde que nascem!!
A raça humana é dócil, sabe?
A raiva, a frustação, a ira, o rancor, as ações e os sentimentos negativos fazem também parte da lógica organizacional do corpo e da mente humana porém, não são configurações irreparáveis, não são programas como um hardware que para atualizar só trocando pelo modelo mais novo. São como softwares que para reparar é necessário fazer uma atualização no programa. Mudaras configurações, o meio, os estímulos, os acessos, as oportunidades.
Precisamos olhar com mais afetividade para os nossos filhos e os filhos dos nossos amigos, irmãos, vizinhos, parentes.
Precisamos mesmo de uma força tarefa para tornar nossos mini humanos os herdeiros da terra e tornar a jornada deles um pouco mais amena, mais calorosa, mais leve.

Eu não queria sucumbir. Estudei muito, me preparei em cada fase. Fiz muitas coisas bem certinhas, desde a gestação, para ter uma gravidez saudável, um parto natural, uma amamentação exclusiva e prolongada. Fiz Higiene Natural desde os 54 dias de vida de minha cria. Eduquei com educação positiva. Tive paciência, dei passos lentos, expliquei sentimentos. Porém, por várias vezes sucumbi. Extrapolamos no doce, extrapolei no grito, reagi exageradamente.
Talvez nem sempre eu tenha proporcionado o ambiente mais limpo e mais organizado pra gente, nem sempre estive sendo o melhor exemplo e a melhor imagem a ser vista. Também mostrei descontrole, desproporcionalidade, também deixei dormir sem janta, também pulei algum almoço, também deixei à mostra a pilha de roupa pra dobrar que nunca diminuía.

Humanidade. Tá tudo bem, sabe?
Talvez a gente só precise sucumbir um pouco e dizer umas para as outras que "tá tudo bem!".
É permitido sucumbir e recomeçar.
Tá tudo bem!
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