O cocô e a Higiene Natural: sinais e comportamentos.

Como saber que o bebê precisa fazer cocô para realizar a Higiene Natural?

Muitos pais consideram a famosa "cara de cocô" como um sinal, mas ele já é tardio.

Entenda melhor:

Como eu ia dizendo, um sinal clássico da necessidade de fazer cocô é a famosa "cara de cocô", porém, ele já significa que o "miseravi" está na portinha prestes a sair e, se você agir nessa hora, muito provavelmente irá travar o seu bebê, assim como lhe travariam, caso você estivesse prestes a evacuar e alguém te pegasse no colo, te mexesse, virasse, tirasse a roupa e mudasse a posição.

Higiene Natural é sempre empatia, lembram?

Cara de cocô: Olhar intenso, face rosada, biquinho e queixo duplo

Olhar intenso, face rosada, biquinho e queixo duplo são o cocozin saindo!

Muitos pais e cuidadores riem e dizem: "-Ala, vai fazer cocô, hahaha se espremendo"

Mas, os cuidadores que praticam HN, agilizam para, pelo menos soltar a fraldinha, permitindo que o bebê evacue com liberdade e respeito.

Porém, é importante se antecipar ao cocozin justamente para não travar o bebê e, no tempo certo posicioná-lo para facilitar o ângulo anorretal que é formado quando estamos a 45º entre abdômen e joelhos.

Então, como saber quando o bebê quer fazer e auxiliar sem travá-lo?

Quem compra o livro do bebê sem fralda sabe que lá estão muitos sinais perceptíveis e imperceptíveis de cocô. E como eu sou legal vou copiar e colar um pedacinho pra vocês!

Identificação dos sinais de evacuação do bebê:

Essa é a parte mais delicada da HN porque os sinais de evacuação são muitos e cada fase que o bebê vive traz consigo o seus sinais. Porém, existem os sinais individuais e os universais também. A grande sacada é que os pais não esperem sinais óbvios, tipo, cara feia pra cocô e cara de surpresa pra xixi, longe disso, é preciso se ligar nas sutilezas dos comportamentos dos bebês.

 Sinais universais de cocô: bebê fica vermelho, solta gases, se espreme, faz força, som de pigarro, tem cólicas, se arqueia pra trás durante a mamada, faz biquinho.

 Sinais imperceptíveis de cocô: irritabilidade, ansiedade, choro excessivo, cólicas, agitação, insônia, nervosismo, bebê se arqueando ou com espasmos abdominais, agressividade, gritinhos, concentração, teimosia." (PAZ, 2017, pg. 34).

Além disso, outra questão que os pediatras sequer comentam, é que todo lactente possui uma fase (até aproximadamente o 6º mês) que enfrenta uma disquesia, uma espécie de aprendizado para a evacuação (já falei sobre isso aqui:

https://www.facebook.com/bebesemfralda/photos/a.975108549188394.1073741828.975081009191148/1553004964732080/?type=3&theater).

Essa disquesia nada mais é que o processo fisiológico que o bebê enfrenta e vem acompanhado de gemidos, choros, esforços, vermelhidão e ocorre entre 10 e 20 minutos anteriores às fezes.

Não há razão alguma para medicar, não é cólica, não há sofrimento, são sinais sábios de um corpinho em pleno e perfeito funcionamento. Em verdade, essa disquesia refere-se ao processo digestivo mesmo, é quando as fezes estão sendo finalizadas e encaminhadas ao reto, um processo natural e muito importante para o amadurecimento intestinal. Os bebês são incapazes de controlar os esfíncteres e tampouco de coordenar a pressão abdominal que sentem ao mesmo tempo em que precisam relaxar o assoalho pélvico, é por isso que eles choram e as pessoas pensam que estão sentindo dor, cólicas, sofrendo, quando na verdade, estão a se comunicar e dizer:

"-Ei gente, está rolando um movimento aqui e eu preciso de ajuda para resolver isso!"

É igual com a fome ou o sono, na fome o bebê sente necessidade de comer, mas não coordena reação com solução, chora, dá sinais de fome recebe o peito ou a mamadeira. No sono o bebê sente o corpo em desespero para descansar mas, não tem autonomia para resolver então chora, dá sinais de sono e o fazemos dormir. Porém, no caso da evacuação, o bebê chora, dá sinais de que precisa muito evacuar e nós simplesmente os ignoramos ou pior, os medicamos porque não fazemos ideia de que se trata de sinais naturais do corpo e que deveríamos atendê-los.

O choro na disquesia é uma tentativa instintiva e natural que o bebê tem de aumentar a própria pressão abdominal e assim conseguir eliminar as fezes. Porém, coitado do bebê moderno, ele está sendo impedido pela fralda (cada vez mais apertada porque os cuidadores têm medo de vazamentos), pela posição e pelo total desconhecimento de seus pais e cuidadores de que aquele corpinho clama por socorro e para ser posicionado. É aí que entra a higiene natural, atendendo essa demanda, da mesma forma que atentemos o sono e a fome porque aprendemos a identificá-la, atendemos ao cocô (e ao xixi - que falarei noutro post) porque aprendemos quais são os sinais que nossos filhos dão e aliviamos assim seu estresse nesse momento.

Ainda, o melhor disso, é que com a prática da HN, naturalmente o bebê consegue fazer todo o cocozinho de uma vez só e seu corpinho se torna um reloginho, evacuando todos os dias, uma a duas vezes ao dia, sempre nos mesmos turnos ou horários! É incrível. E não é condicionamento, nem é forçar, ao contrário, é atender respeitando a função biofisiológica do corpinho dos nossos filhos.

Enfim, há muito o que falar sobre o cocozinho e seus sinais, sobre as nossas atitudes diante da iminência do "número 2", farei isso aos poucos. Assim, para otimizar a postagem solicitei na página Bebê sem Fralda Brasil que me enviassem dúvidas sobre o cocô e vou respondê-las aqui para auxiliar a todos que estão começando a entender melhor a HN.

P: Percebo que meu bebê quer fazer cocô e tenho receio de mexer nele, como devo começar?

BBSF: O ideal para a fluidez da prática da HN é que captemos as evacuações matinais, ou seja, o bebê acorda e devemos imediatamente proporcionar uma evacuação correta, na posição certa e de forma segura. O posicionamento e a forma que os cuidadores se comportam, respiram e agem, fazem toda a diferença. A HN é uma prática que deve ser contínua e gradativa, embora possa ser parcial, por exemplo, praticada por um turno, deve ser constante. Assim, aos poucos o próprio bebê se esforça para sinalizar mais e consegue avisar sobre o cocô com antecedência. É preciso começar aos poucos, errando para acertar. Ajustando a energia do momento, se entregando com confiança.

P: Meu bebê tem sofrido pra fazer cocô, quando começa geralmente está sentado pra comer e aí nunca sei se tiro ele correndo da cadeira, se espero e levo depois... sei q a combinação fralda + sentado = coco sofrido, mas não sei o q fazer!

BBSF: Na própria pergunta está a resposta! Afinal, se a combinação Fralda + sentado é = cocô sofrido, comece auxiliando seu bebê a fazer cocô sem a fralda. Interrompa a alimentação, leve-o ao banheiro ou penico e auxilie seu filho a fazer cocô, deixando-o relaxado, tranquilo e confiante. Depois retornem à mesa.

P: Baby fez 4 meses. Agora fica uns dias sem fazer cocô e fico muito preocupada. Ela faz bastante pum mas nada de cocô. Como já está com 6 kg, não consigo ficar segurando ela muito tempo e por isso comprei um assento confortável para apoiar ela, mas fico preocupada de não estar na posição correta e por isso não faz cocô. Tem alguma relação? Obrigada.

BBSF: Tem sim, nessa fase tem que ser penico!!Fazendo adaptação lenta! Todo dia um pouquinho, preferencialmente ao acordar! cuidador sempre deve estar atrás, dando sustentação para a coluna, bebê deve se sentir seguro e relaxado... é preciso ter um ritual de tranquilidade para o bebê.

P: A minha BB de 45 dias não tem Hora pra fazer cocô e quando começa nem faz carinha só no final ela faz força...odeioooooo fraldas e não sei como agir nessa situação

BBSF: O bebê não tem hora pra fazer cocô por causa do uso de raldas, a partir do momento que você começar a praticar HN, o relógio biológico do bebê vai ajustando e você ai conhecendo o padrão de evacuação de sua filha. Sem praticar, o bebê seguirá sem horário e você seguirá sem saber como agir. Aproveite as dicas desse post.

P: Quando sei que ele acabou?? Bate sempre uma dúvida.

BBSF: Na maioria das vezes o próprio bebê sinaliza, resmungango ou mexendo muito as pernas ou se esticando. quando estamos atentos aos bebês, percebemos quando eles querem fazer o cocô e quando já acabaram... por isso a prática da HN proporciona o estreitamento do vínculo, pois tudo isso se faz através de comunicação, precisamos estar atentos.