Ano Novo: A puérpera que habita em mim saúda a puérpera que habita em você.


Mãe sorrindo com bebê de duas semanas no colo em posição fetal , cabecinha no ombro

Em 01/01/2015 eu tinha nos braços um bebê de duas semanas!

Estava na casa da mãe (casa cheia, diga-se de passagem) e minha filha sequer tinha percebido que saíra da barriga. Mamava em exclusivo e dormia muito, mas todos me diziam que era bom dar uma mamadeira pra ela dormir mais (?). Não usava chupeta e não chorava, mas todos insistiam que se eu lhe desse uma ela ficaria calminha (?). Nós ainda estávamos nos conhecendo, aquele bebê era um dengo só e eu já tinha recomendação de remédios para cólica e dor e febre e refluxo. Ela precisava apenas estar no meu cangote e o mundo todo parecia não existir para mim, eu tinha criado uma blindagem no ouvido que nada do que me diziam ficava na minha mente!

Só tinha olhos e ouvidos pra Serena Paz que eu havia parido no dia 20/12/2014, me sentia numa bolha, num Éden, noutro mundo.

Quanto poder tem o puerpério! E como é difícil ser puérpera!

Hoje, tanto tempo depois eu tenho consciência de que consegui blindar os ouvidos e ligar o botãozinho do instinto, recusando as recomendações porque havia consumido muita informação na gestação.

Aprendi que recebemos indicações erradas ou sem embasamento científico dos próprios médicos. Aprendi que as mulheres são vistas como bombas relógio na gravidez e, principalmente, no trabalho de parto. Compreendi que existe uma realidade cruel chamada Violência Obstétrica (VO) pela qual é impossível não se envolver e não tentar lutar contra. Aprendi que os pitacos vêm até na fila da padaria e que realmente a imensa maioria das pessoas não faz ideia do que está falando, se não reproduzindo conceitos antigos e totalmente fora dos princípios da naturalidade.

Passei a aceitar que todos os familiares querem ajudar, todos têm alguma opinião boa pra dar, todos têm uma experiência que julgam positiva e todos acreditam que seus conselhos devem ser seguidos nem que para isso sejam repetitivos de forma muito cansativa, invasiva e desagradável.


Tudo o que uma mulher com um recém-nascido precisa é que as pessoas na sua volta facilitem a sua vida, no entanto, parece que o mundo todo quer encontrar uma maneira de foder com a sanidade mental dela.


Ninguém leva em consideração a oscilação hormonal daquela puérpera, que ela só precisa de um copo d'água ou um chá quentinho ou uma tigela com frutas, ninguém lembra que ali tem um animal recém parido com uma cria recém chegada que não deve estar de colo em colo nem exposta à perfumes, sons, luzes e discussões familiares. Ninguém fala sobre o puerpério. O primeiro sem noção do pós parto é o marido, namorado, companheiro, pai da cria. É o mais perfeito babaca, fraco da cabeça, nom sense do mundo mundial. O infeliz teve nove meses pra se preparar pro que vinha e ele é capaz de levar esse tempo planejando uma viagem com os mínimos detalhes, mas não é capaz de entender e se posicionar assim que seu filho nasce, é uma dificuldade pra tirar a porra do lixo pra fora de casa, nem pensa em fazer um simples sanduí