Ano Novo: A puérpera que habita em mim saúda a puérpera que habita em você.

January 1, 2018

 

 

Em 01/01/2015 eu tinha nos braços um bebê de duas semanas!

Estava na casa da mãe (casa cheia, diga-se de passagem) e minha filha sequer tinha percebido que saíra da barriga. Mamava em exclusivo e dormia muito, mas todos me diziam que era bom dar uma mamadeira pra ela dormir mais (?). Não usava chupeta e não chorava, mas todos insistiam que se eu lhe desse uma ela ficaria calminha (?). Nós ainda estávamos nos conhecendo, aquele bebê era um dengo só e eu já tinha recomendação de remédios para cólica e dor e febre e refluxo. Ela precisava apenas estar no meu cangote e o mundo todo parecia não existir para mim, eu tinha criado uma blindagem no ouvido que nada do que me diziam ficava na minha mente!

Só tinha olhos e ouvidos pra Serena Paz que eu havia parido no dia 20/12/2014, me sentia numa bolha, num Éden, noutro mundo.

Quanto poder tem o puerpério! E como é difícil ser puérpera!

Hoje, tanto tempo depois eu tenho consciência de que consegui blindar os ouvidos e ligar o botãozinho do instinto, recusando as recomendações porque havia consumido muita informação na gestação.

Aprendi que recebemos indicações erradas ou sem embasamento científico dos próprios médicos. Aprendi que as mulheres são vistas como bombas relógio na gravidez e, principalmente, no trabalho de parto. Compreendi que existe uma realidade cruel chamada Violência Obstétrica (VO) pela qual é impossível não se envolver e não tentar lutar contra. Aprendi que os pitacos vêm até na fila da padaria e que realmente a imensa maioria das pessoas não faz ideia do que está falando, se não reproduzindo conceitos antigos e totalmente fora dos princípios da naturalidade.

Passei a aceitar que todos os familiares querem ajudar, todos têm alguma opinião boa pra dar, todos têm uma experiência que julgam positiva e todos acreditam que seus conselhos devem ser seguidos nem que para isso sejam repetitivos de forma muito cansativa, invasiva e desagradável.

 

Tudo o que uma mulher com um recém-nascido precisa é que as pessoas na sua volta facilitem a sua vida, no entanto, parece que o mundo todo quer encontrar uma maneira de foder com a sanidade mental dela.

 

Ninguém leva em consideração a oscilação hormonal daquela puérpera, que ela só precisa de um copo d'água ou um chá quentinho ou uma tigela com frutas, ninguém lembra que ali tem um animal recém parido com uma cria recém chegada que não deve estar de colo em colo nem exposta à perfumes, sons, luzes e discussões familiares. Ninguém fala sobre o puerpério. O primeiro sem noção do pós parto é o marido, namorado, companheiro, pai da cria. É o mais perfeito babaca, fraco da cabeça, nom sense do mundo mundial. O infeliz teve nove meses pra se preparar pro que vinha e ele é capaz de levar esse tempo planejando uma viagem com os mínimos detalhes, mas não é capaz de entender e se posicionar assim que seu filho nasce, é uma dificuldade pra tirar a porra do lixo pra fora de casa, nem pensa em fazer um simples sanduíche com suco pra companheira que tá lá, jorrando leite, sangrando ainda, é um pai que não fica mais que meia hora com a cria no colo, que não defende a mulher pra ninguém, ao contrário vai acatando tudo que é pitaco e tentando convencer ela também, que talvez a vizinha tenha razão e seja melhor deixar o bebê dormir no quartinho dele a noite toda mesmo que chore nos primeiros dias, e não deixa de ser aquele macho Alpha, sempre querendo saber se ela já pode voltar a transar.

Passam os meses e são 10 em cada 10 puérperas pedindo socorro nos grupos. Parece que permanece mais tempo casada no puérpério quem tem maior capacidade de resiliência (pra não dizer maior capacidade de engolir sapo, aguentar macho escroto, ser submissa). Pausa na escrita pra admitir que virão as dadeiras de biscoito dizendo: “mas nem todo homem é assim, O MEU, por exemplo, é um ótimo companheiro e foi sensacional no puerpério, blá blá blá”... Passa reto então, pula pro próximo parágrafo, eu to falando da realidade, não das exceções, não de quem não está fazendo mais do que a obrigação, sorte que você tem, desfruta! O que a gente vê é um a mulher exausta no pós parto tendo que lidar com o companheiro que não contribui com o mínimo da sua obrigação. Tem paizão de facebook que entra e sai do banho e a roupa que tirou fica no chão do banheiro. Não é possível.

 

É treta ser puérpera!

 

A sogra também, quer porque quer que a nora acate suas recomendações, não entende como pode ser tão teimosa essa mãe de seus netinhos. A mãe da puérpera que poderia se reservar ao papel de bancar a faxineira, por exemplo, ou mandar umas sopinhas congeladas semanalmente, não entende sua filha que recusa seus conselhos tão certeiros, já que ela criou X filhos assim e todos estão aí ó, bem (leia-se com transtornos de ansiedade, episódios de agressividade, instabilidades em relacionamentos ou relações comerciais, com síndrome do pânico, complexo de inferioridade, pressa, obesidade, vícios, hipocondria).

Não é fácil ser puérpera hoje, não é fácil ser e estar entre familiares. Não é fácil ser puérpera e manter um casamento e uma boa relação com todos na volta.

Porque estamos lendo, nos informando, já sabemos que não é possível dar paracetamol com 37,5 graus e que essa temperatura nem é febre. Compreendemos que cólicas não precisam de medicação, que constipação não precisa de supositório. Estamos nos informando e também já entendemos que não importa a louça suja se o bebê quer ficar preso no peito. Aceitamos que tudo bem as roupas por dobrar se o bebê dormiu gostoso naquela posição e não queremos mexer. Estamos nos empoderando pra saber que dá pra passar uma vassoura com o bebê no sling, mas não precisamos estar com a casa impecável se temos um ser de poucos dias ou meses em casa. Sabemos que o marido vai só perdendo pontos se for um bosta nesse processo de empoderamento. Enfim...

 

 

Precisamos ter o direito de entrar de cabeça no puerpério e assumirmos o nosso poder de decisão perante nossas vidas e nossos filhos. Nós somos nutrizes, nós temos o poder da vida, nós temos obrigação de fazermos o que o nosso coração manda e não o que os outros falam para fazermos.

 

Enfim, sobre a Higiene Natural, nesta época da foto acima eu ainda não tinha coragem de praticar e quando eu falava que praticaria, mais uma vez era encarada como louca ou como alguém que não daria conta de continuar com minhas decisões. Incrível como desacreditam a gente não é verdade? Parto natural? "-Mas você vai sofrer porquê?". Fraldas de pano? “-Xiii você não vai aguentar ficar lavando!”... Amamentação exclusiva? “-Nossa, mas seu bebê vai passar fome!”... Cama compartilhada?  “-Mas bebê tem que dormir sozinho pra aprender”... Higiene Natural? Isso é impossível, uma loucura!”... Embora todos os bebês respondam muito bem quando escolhemos o que é natural e instintivo, como era o caso da própria Serena me deva sinais óbvios de comunicação de eliminação, como evacuações nas trocas de fralda, briga com o peito ou mamadas infinitas, resmungos, pigarros, etc. Só me arrisquei a praticar quando ela fez 54 dias, porque ela estava mais firme, eu estava mais sozinha com ela, nós estávamos mais alinhadas, eu cada dia mais empoderada e decidida a seguir minhas escolhas.

 

É incrível maternar contracultura e ter um bebê que não tem assaduras, que dorme muito bem, que mama bem, que cresce bem, que tem saúde, que faz cocô como um reloginho que avisa quando quer fazer xixi ou dormir ou mamar.

 

É um absurdo que o que seja natural nos seja ocultado e visto de mau grado e o que seja artificial nos seja empurrado e visto como o melhor para nós e nossos filhos.

 

Quando eu descobri a HN queria muito partilhar, mas quando eu comecei a praticar e vi a resposta imediata e positiva da minha filha eu tive a certeza de que todas as mulheres precisavam saber disso e praticar também. Cada vez que uma puérpera posta nos grupos que passa por sintomas como “cólica, noites mal dormidas, choros sem sentido, mamadas infinitas, briga com o peito, muitos cocôs por dia, fraldas vazando, bebê se arqueando para trás, assaduras, fungos, alergias ou dermatites na área das fraldas, entre muitos outros, eu só penso: “Higiene Natural”... É isso, leia, se aproprie desse conhecimento. A prática da HN leva o puerpério para um lado incrível que só experimentando para saber. É um mundo encantado de conexão com a nossa cria. Tudo faz mais sentido. A amamentação flui melhor, o sono flui melhor, a sintonia, a rotina, os nossos instintos.

 

Não há tabu maior do que uma mulher empoderada no pós parto e não há momento mais delicado para essa mulher, do mesmo modo não há maior desconhecimento do que sobre a prática da Higiene Natural com bebês e não há saber mais urgente de propagar do que esse para facilitar a vida de tantas e tantas mulheres que estão no pós parto agora ou chegando nele em breve.

 

Esse texto é uma crítica social, um desabafo, um abraço fraterno de mulher pra mulher, porque eu sei que vocês estão lendo e estão entendendo o que eu digo. Estão se identificando. Estamos juntas, embora cada uma no seu processo, no seu núcleo, no seu mundo, na sua configuração familiar. E as informações estão à nossa disposição, temos a responsabilidade de usarmos o conhecimento de forma consciente, de confirmar dicas, de discutir resultados, de buscar embasamento científico. Porque o nosso instinto fala que está errado seguir assim, nosso poder ancestral fala que não precisamos ser aquelas recém mães de capa de revista, porque elas não existem. Mesmo que uma mulher possa ser rodeada de pessoas dispostas (e é claro que eu admito que a família ajuda muito sim), ela não quer e não precisa estar bem apresentada no pós parto, não precisa aceitar os conselhos de todos, não precisa ter que ser chata ou desagradável pra fazer as pessoas entenderem que não quer dar leite artificial, não quer ser repetitiva quanto as escolhas e não quer saber a opinião de todo mundo. Se você realmente quer ajudar uma mulher que tem um recém nascido, pergunte-lhe como! Ou, simplesmente leve comida, comida, comida!! Deixe sua opinião para quando lhe for solicitada!

 

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Sobre puérpério: http://www.cordvida.com.br/blog/o-que-e-puerperio-entenda-e-saiba-como-cuidar-da-mulher-no-pos-parto/

 

(lembrando que muitas mulheres levam muito tempo para retornar o ciclo menstrual e assim sendo consideradas puérperas também)

 

 

Sobre Higiene Natural: O primeiro livro do mundo baseado em evidências científicas, custa apenas R$22,44. 

www.bebesemfraldabrasil.com/e-boo

 

 

Sobre exterogestação: 

http://www.macetesdemae.com/2015/06/extero-gestacao-voce-sabe-o-que-e.html

 

 

Empodere-se!

 

 

#higienenatural #hnporfernandapaz #eliminationcommunication #HN #EC 

#exterogestação #diganãoaospitacos #ouçaseubebê 

 

 

 

 

 

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